quinta-feira, 3 de julho de 2014

Quem sabe

Há tanto tempo deixei de escrever que parece que um pedaço de mim se foi. Escrevo diversos textos tentando colocar pra fora tudo que me atormenta, mas parece que o nevoeiro está tão grande que sequer as luzes das palavras conseguem me ajudar a encontrar um caminho.

Quem sabe perdi o pedacinho da minha alma que estava ligado ao vasto vocabulário que um dia traduziu meus pensamentos.

Quem sabe.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Roleta Russa



       Começar um relacionamento é questão de tudo ou nada. Quando se decide que não quer a pessoa apenas como sua amiga e sim como sua companheira, como pessoa que você decidiu gostar e decidiu demonstrar, como pessoa a quem você destinará seus pensamentos nos momentos livres e àquela a quem irá querer passar a maior parte do tempo. Quando é feita tal decisão e a outra pessoa partilha da mesma escolha começa-se um jogo de roleta russa, na qual todas as balas estão posicionadas, menos uma. 

      Nesse jogo, há inúmeras formas de dar errado. Brigas, desentendimentos, problemas ou simplesmente caminhos que seguem de forma separada. Todas essas tantas rotas entrelaçadas levam a caminhos diferentes, mas, se parar para seguir as linhas, todas chegam ao mesmo final – a pessoa que você tanto estimava sai da sua vida. Sim, aquela pessoa que você queria passar a maior parte do tempo, aquela que sabia tanto sobre sua vida, a quem você escrevia bilhetinhos e versinhos, aquela que você podia passar horas e horas apenas olhando. Essa. Essa pessoa torna-se nada mais que uma estranha. Se uma dessas linhas der errado, após decidirem romper o laço que foi feito, vocês nunca mais serão os mesmos e tudo aquilo que construíram rui e deixa nada mais que uma pilha de ruinas de memórias.

      Entretanto, há outro caminho. No caso de você escolher alguém e escolher juntamente com isso superar todas as barreiras. No caso daquela pessoa, e apenas ela, ser quem você quer ter ao seu lado pelas manhãs, ser quem você liga para contar uma notícia, seja ela boa ou ruim, ser quem ficará ao seu lado. E o grande empecilho desse caminho é: a outra pessoa tem que fazer a mesma escolha. 

      O mais complicado de tudo é que não é uma escolha que se faz apenas uma vez, assina em um 
contrato e pronto. Não. É uma escolha que deve ser feita todos os dias, e no momento em que você questiona essa escolha e decide procurar por outra pessoa, então todo ‘contrato’ está desfeito, ainda que vocês não terminem no mesmo instante. Como assim? Oras, de que adianta um dos elementos da ligação já estar procurando outra ligação e apenas o outro crer que são exclusivos? Um relacionamento acaba no instante que o outro não é mais aquela pessoa, aquela que você era ligada. 

      A escolha deve ser feita todo dia. Não pelo medo dos outros caminhos, mas pela certeza que sustenta qualquer relacionamento – que aquela pessoa é parte da sua vida, que é parte de você. Leia-se, parte. Não o todo. Mas esse é devaneio para outro instante. O que importa agora é que, não importa o quão complicado esse único caminho-do-sucesso seja. O que importa é que aquela pessoa, ao final do caminho, ainda estará ao seu lado. E então, quando você chegar ao final e notar isso, meus parabéns, você venceu na Roleta Russa.  

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Marchinha melódica


      E me parte o coração, essa marchinha melódica de um coração que vai indo pra longe do outro mesmo estando do lado da pessoa. Vai dando passinhos curtos, como quem não quer nada e quando você vê, a distância já é tanta que você mal consegue ouvir seu coração batendo descompassado pela proximidade, pelo carinho, pelo amor. Aos poucos, coração deixa de bater acelerado e vai batendo apertado, baixinho, pedindo arrego, pedindo chamego. Não chamego daquela pessoa, porque já está longe demais para alcançar seu coração, mas sim do tempo, para que faça as batidas se normalizarem.

     Infelizmente, é aí que vem a pior parte. A parte em que aos poucos você vai se esquecendo de como é se sentir 'daquele' jeito ao lado da pessoa que antes lhe arrancava sorrisos e até mesmo lágrimas, porque aos poucos você vai deixando de sentir, seu coração agora apenas bate - nada sente.

     A pior distância é aquela de uma proximidade apenas física e nada sentimental, é aquela que dói assumir, a que nos parte em mil por não querer nos despedir.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Voo pleno


Gostaria de voar livremente como já consegui fazer (consegui?). Ao parar para olhar para o passado, vejo que sempre dependi muito de tudo e tão pouco de mim. Sempre procurei chão para pousar, uma árvore para me apoiar, um companheiro para voar, e no fim, ah, no fim apenas me prendi.


 Sou um pássaro que não se permite abrir as asas inteiramente para voar sozinho. Procuro nas pessoas ligações, como se fossem o necessário para que minhas penas se mantenham fixas em mim e que só assim conseguiria ir além. Mas no fim, veja só, eu tenho as penas, tenho tudo que preciso, só me falta a confiança.
 quero subir em plenitude, sem sentir o peso de uma ilusória solidão me puxando para baixo, me impedindo de ser feliz. 




 Ergo o olhar, abro as asas e alço voo. Companhia é bem vinda, mas a falta dela não vai me segurar. Subo um pouco, indo rumo à corrente de ar 'independência'.

sábado, 1 de setembro de 2012

Bomba sem força


Quero falar, mas parece que as palavras não tem força suficiente para sair.
Quero que meu coração bata em plenitude, para quem sabe com mais força consiga bombar para fora toda essa angústia de palavras não ditas que habita em mim.
Mas a plenitude jamais será alcançada para esse propósito, até porque, ele já bate grandiosamente por um alguém. Ou seja, haverá sempre uma palavra entalada, ainda mais quando se refere à essa pessoa.